PHINIA nacionaliza produção de injetores GDi de alta pressão e reforça avanço da injeção direta no Brasil

Produção nacional de injetores GDi de 350 bar acompanha crescimento da frota equipada com injeção direta e reforça a necessidade de especialização nas oficinas
A evolução dos motores de injeção direta de combustível ganhou um novo capítulo no Brasil. A PHINIA anunciou o início da produção nacional de injetores para sistemas GDi capazes de operar com pressões de até 350 bar em sua unidade de Piracicaba (SP), tornando a fábrica a única do país a produzir esse tipo de componente.
A novidade foi apresentada durante as comemorações dos 35 anos da planta paulista e marca um passo importante para a cadeia automotiva nacional. Até então, parte dos injetores utilizados em veículos equipados com tecnologia GDi vendidos no Brasil era importada da unidade da empresa no México.
“Estamos trazendo para o Brasil uma tecnologia extremamente sofisticada. A escolha da operação brasileira para produzir esses injetores demonstra a capacidade técnica e industrial desenvolvida ao longo dos anos”, afirma Giovani Benato, diretor-geral da PHINIA em Piracicaba.
Para os profissionais da reparação automotiva, o movimento acompanha uma tendência já percebida nas oficinas: o crescimento da frota equipada com sistemas de injeção direta. Cada vez mais presentes em motores turbo e aspirados de última geração, esses sistemas exigem conhecimento técnico específico para diagnóstico, manutenção e substituição de componentes.

Diferentemente da injeção eletrônica convencional, que trabalha com pressões entre 3 e 5 bar, os sistemas GDi operam em níveis muito mais elevados. Nos novos injetores produzidos pela PHINIA, a pressão pode chegar a 350 bar, permitindo uma pulverização extremamente fina do combustível diretamente na câmara de combustão.
Essa característica contribui para uma queima mais eficiente da mistura ar-combustível, favorecendo o desempenho do motor, a redução do consumo e o atendimento às exigências cada vez mais rigorosas de emissões.
O que muda para as oficinas
A expansão da produção nacional de injetores GDi acompanha uma realidade já presente no mercado de reparação. Com o aumento da frota equipada com injeção direta, oficinas independentes e centros automotivos precisam investir cada vez mais em capacitação técnica e equipamentos específicos para diagnóstico.
Ao contrário dos sistemas convencionais, os motores GDi trabalham com pressões muito mais elevadas e possuem componentes de alta precisão, como bombas de alta pressão, sensores dedicados e injetores com tolerâncias microscópicas. Isso exige procedimentos mais rigorosos durante testes, desmontagens e substituições.
Na prática, o avanço dessa tecnologia amplia a demanda por serviços especializados, incluindo limpeza de injetores de alta pressão, diagnóstico de falhas relacionadas à alimentação de combustível e interpretação de parâmetros eletrônicos mais complexos. Também aumenta a importância da utilização de peças com especificações corretas e do cumprimento dos procedimentos recomendados pelas montadoras.
Para os reparadores, a tendência é que os sistemas GDi se tornem cada vez mais comuns dentro das oficinas nos próximos anos, especialmente à medida que cresce a participação de motores turbo e de tecnologias voltadas à redução de consumo e emissões na frota brasileira.
Segundo a fabricante, a produção desses componentes exige elevado grau de precisão. Os microfuros responsáveis pela pulverização do combustível possuem dimensões menores que a espessura média de um fio de cabelo humano, demandando processos de fabricação altamente controlados.

Para viabilizar a nova operação, a unidade recebeu investimentos em infraestrutura industrial, incluindo uma sala limpa climatizada de aproximadamente 1,5 mil metros quadrados, equipada com sistemas de controle ambiental, inspeção automatizada, monitoramento dimensional e rastreabilidade dos componentes produzidos.
Além de ampliar a capacidade tecnológica da operação brasileira, a iniciativa acompanha a transformação do mercado automotivo nacional. Desde a década de 1990, a planta de Piracicaba participou da introdução de tecnologias como a injeção eletrônica e soluções voltadas ao etanol. Nos anos 2000, esteve envolvida no desenvolvimento de componentes para motores flex fuel.
Atualmente, a unidade opera em três turnos, emprega cerca de mil colaboradores e produz aproximadamente 11 milhões de componentes automotivos por ano para montadoras instaladas no Brasil e para programas globais destinados à América Latina, América do Norte, Europa e Ásia.
Outro ponto de interesse para o setor de reparação é a atuação da fábrica na formação técnica de profissionais. A unidade mantém iniciativas de capacitação e treinamento voltadas ao mercado automotivo, reforçando a necessidade de atualização constante diante da crescente complexidade dos sistemas de alimentação e gerenciamento eletrônico presentes nos veículos atuais.
Com a nacionalização dos injetores GDi de alta pressão, a expectativa é de fortalecimento da cadeia local de fornecimento e maior proximidade entre a indústria e o mercado de reposição, em um cenário no qual os sistemas de injeção direta tendem a ocupar espaço cada vez maior nas oficinas brasileiras.
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