Empresa brasileira restaura e exporta Kombi para mais de 15 países

A ideia surgiu em 2016 após pedidos de exportação de Kombis em estado ruim, e agora a Brasil Kombi já vende no exterior cerca de 100 unidades por ano. Confira.

Um fato muito interessante vem ocorrendo com o dono de uma empresa de trading, Alexandre Fares, desde 2016. Há 20 anos o empresário trabalha com o intermédio de exportações e importações de vestuários, alimentos e também componentes automotivos.

Mas foi há 5 anos que recebeu a inusitada ligação de um alemão pedindo que ele exportasse uma Kombi adquirida em São Paulo, onde havia passado o Carnaval.

De acordo com Fares, a Kombi estava em péssimo estado de conservação, mesmo assim providenciou toda a documentação necessária e enviou o veículo que possuía mais de 30 anos, através do Porto de Santos para a Alemanha. 

Ainda em 2016, outro alemão chamado Björn Augustin, contratou a empresa de trading para exportação de mais dez Kombis adquiridas em anúncios brasileiros. Fares as definiu como “verdadeiras sucatas”.

O intuito dos pedidos era a reforma e revenda. Na Alemanha é praticamente impossível encontrar uma Kombi à venda, no entanto a famosa Volkswagen ainda conta com inúmeros amantes em seu país de origem, onde foi produzida entre 1950 e 1970.

O empresário explicou que alguns alemães são colecionadores, outros optam por fazer a Kombi de motorhome e levar a família para viajar. “Existem pessoas alucinadas por este carro”, afirmou Alexandre Fares.

Produção brasileira de Kombi

Recomendada por Björn Augustin, a empresa de Fares começou a receber cada vez mais pedidos da icônica perua, modelo que seguiu em produção em terras brasileiras até sair de linha em 2013.

Uma das razões que forçaram a interrupção da produção da Kombi foi o fato de não possuir requisitos para a instalação de itens de segurança, como freio ABS e airbag, que tornaram-se obrigatórios para veículos novos em 2014.

Após um ano trabalhando com o envio dos veículos para o exterior, Augustin sugeriu que Fares passasse a oferecer o serviço de restauração, ao invés de apenas exportar as Kombis no estado em que eram adquiridas. Considerando a ideia promissora, Fares encerrou as atividades de trading para mergulhar na compra e restauração de peruas, em ação conjunta com seu sócio, Paulo Victor Mesquita.

Os dois então inauguraram a empresa Brazil Kombi, que possui sede e oficina em Duque de Caxias (RJ). O negócio deu tão certo que, até o momento, mais de 350 Kombis foram despachadas para 15 países. Em 2021, a previsão é que seja atingida a marca recorde de 100 unidades reformadas e enviadas.

Embora a Alemanha tenha sido a maior compradora, outros países como Austrália, França, Estados Unidos, Inglaterra, Porto Rico e Líbano também contrataram Fares. Alguns dos novos clientes são empresas especializadas em aluguel de automóveis para eventos.

Tempo de restauração da Kombi

A restauração da perua pode levar aproximadamente três meses, no entanto, em determinados casos, leva até um ano dependendo da customização solicitada. Em 2020 a Brazil Kombi entregou uma edição customizada chamada ‘Herbie’, inspirada no longa-metragem “Se meu Fusca falasse”. Em outra situação, um cliente alemão que era torcedor do Borussia Dortmund pediu uma Kombi pintada em preto e amarelo, que, de acordo com Fares, “ficou horrorosa”.

Assim que a nova empresa foi fundada, Fares e Mesquita rodaram o Brasil para comprar Kombis com idade entre 25 e 30 anos, o mínimo permitido para exportação.

Ao relembrar situações em que adquiriram Kombis, Fares contou que uma foi encontrada em Piedade de Caratinga (MG) largada em um curral de bois, em péssimo estado, mas que com os devidos reparos teria ficado ótima. Uma das lembranças que mais o marcou, ocorreu na mesma cidade, quando comprou uma Kombi 1969 que, ao contrário da maioria, estava em ótimo estado. “Os donos, ambos na casa dos 80 anos, foram às lágrimas com a venda”, relembrou Fares.

Nesta ocasião, a esposa do proprietário revelou que haviam passado a lua de mel na Kombi e que seu marido não permitia que ninguém dirigisse o veículo, nem mesmo seus filhos por acreditar que era um modelo “para um motorista só”. Quando o proprietário não podia mais dirigir devido a idade avançada, optou pela venda para que a Kombi não deteriorasse encostada. “Me deu muita pena trazer o carro”, conta Alexandre Fares.

Devido aos anos de experiência, os donos da Brazil Kombi não precisam mais desbravar o país atrás das peruas, muitos proprietários entram em contato com eles para revenda.

Reforma de outros veículos

Apenas 13 funcionários trabalham na oficina de Fares, em Duque de Caxias, pois segundo ele a mão de obra especializada em restauração é muito difícil de conseguir. Por isso, hoje é preciso até dispensar alguns clientes por não haver condições de atendimento.

Todavia, após o sucesso com as Kombis, outros veículos passaram a ser reformados e vendidos, como Saveiro, Land Rover, Brasília, Fusca, e Variant. No geral, automóveis Volkswagen com motor a ar.

Atualmente, a Brazil Kombi estuda a possibilidade de expandir os negócios e abrir uma filial nos Estados Unidos ou na Alemanha, para venda de componentes e automóveis.

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