A icônica corrida de 24 horas de Le Mans

Definida como a maior prova de resistência automotiva do planeta, a competição existe há quase 100 anos. Saiba mais sobre sua história e cenário atual

Décadas antes da Fórmula 1 ser inaugurada, outro campeonato automotivo brilhava aos olhos do público, seus competidores e, obviamente, das grandes montadoras de veículos. Palco de disputas épicas entre grandes nomes do automobilismo e classificada como a maior prova de resistência, estamos falando da corrida de Le Mans. 

O surgimento da competição

A primeira edição do tradicional evento automotivo ocorreu em maio de 1923, no Circuito de Sarthe, França, antes utilizado para corridas de motos. Assim, 36 carros, utilizados nas ruas mesmo, de 18 montadoras competiram pela primeira vez numa corrida de 24 horas. Foi um banho de lama devido às condições climáticas enfrentadas, mas apenas três pilotos abandonaram o desafio. 

A proposta original era consagrar um campeão a cada três anos, mas, depois, isso foi revisto e definiu-se que a premiação seria realmente anual. A duração da prova, como o nome já diz, é de 24 horas e, atualmente, acontece no mês de junho – quando as temperaturas climáticas ultrapassam os 30ºC.

Mesmo depois de várias adaptações, ainda é utilizado o Circuito de Sarthe, que fica próximo à cidade de Le Mans – por isso o nome. Para a corrida, há pista permanente e vias públicas, fechadas para o evento. Ao todo, são mais de 13,6 km de pista e o princípio básico inicial é que ganha quem percorrer a maior distância no tempo de um dia.

Evolução

Observando o interesse do público e de pilotos, a ambição das montadoras por um troféu de Le Mans crescia cada vez mais. Logo, as equipes focaram em desenvolver carros esportivos, velozes e confiáveis, recrutando também os pilotos mais preparados.

Nas primeiras décadas da competição, motoristas, equipes e carros franceses, britânicos e italianos dominavam. Bugatti, Bentley e Alfa Romeo eram as principais marcas. Com a Segunda Guerra Mundial, houve um hiato de dez anos, até 1949. 

No ano de retomada, houve a primeira vitória da Ferrari e o interesse das maiores montadoras foi renovado. A competitividade veio, de vez, à tona. As medidas de segurança são reforçadas após 1955, quando um acidente trágico acontece – explicado mais para frente nesta matéria.

Na segunda metade da década de 1960, as vitórias da Ferrari são interrompidas pelo destaque do icônico Ford GT40. Com o engenheiro Carroll Shelby e o piloto Ken Miles envolvidos no projeto, a máquina marcou seu nome na história automotiva, batendo vários recordes. A narrativa foi um ícone, que, inclusive, recebeu o filme “Ford vs. Ferrari” em sua homenagem.

Depois de 1970, a corrida recebe carros com velocidades mais intensas ainda, esportivos sob medida. A Porsche passa a dominar a competição, cenário esse que permaneceu nos anos 80, sendo a marca que mais venceu a corrida até agora. 

Com o crescimento e enorme investimento na Fórmula 1, essa tomou as rédeas como a principal corrida do automobilismo. Mesmo assim, as 24 horas Le Mans ainda acontecem todos os anos, com fãs do globo todo e, claro, muito prestígio.

Nos anos 2000, várias marcas abandonaram a prova de resistência, enquanto outras entraram. As vitórias de 2010-2014 foram da Audi, de 2015-2017 da Porsche e nos últimos três anos a campeã foi a Toyota. Inclusive, o consagrado Fernando Alonso foi um dos pilotos da equipe japonesa em 2018. 

Desde 2001, a pista também recebe o evento “Le Mans Legend”, onde competem carros clássicos que já participaram da disputa, ou veículos semelhantes. A cada ano, uma era específica do automobilismo é selecionada para correr. É a maior corrida do mundo com antigos carros do esporte.

O maior acidente do automobilismo

Mencionado de maneira breve no texto, o desastre de 1955 foi um marco para a corrida de 24 horas de Le Mans. Muitas vezes classificado como o maior acidente na história do automobilismo, esse gerou a morte de mais de 80 espectadores, além do piloto Pierre Levegh. Estima-se que outras 180 pessoas ficaram feridas.

Durante a corrida, o competidor Mike Hawthorn dirigia aos boxes com seu Jaguar. O piloto que estava atrás, Lance Macklin, da Austin-Healey, desvia para a esquerda e acaba sendo atingido na traseira pelo Mercedes do francês Pierre Levegh. A partir disso, ocorreu um grande estrondo, e o carro de Levegh colidiu com a barreira,  pegando fogo. 

O automobilista francês morreu na hora e pedaços de seu veículo – com partes feitas de magnésio, facilitando as chamas – voaram sobre a audiência. A direção da prova não interrompeu a competição, vencida por Hawthorn e Ivor Bueb.

Além das consequências drásticas da perda da vida de dezenas, o incidente impactou também a história da Mercedes nas pistas. A equipe se retirou da corrida antes do término e, em decorrência do acidente, decidiu se afastar do automobilismo por alguns anos. O retorno só veio a acontecer em 1989. 

Ainda em decorrência da tragédia, o automobilismo foi proibido para sempre na Suíça. Até tentaram mudar essa lei, mas sem sucesso algum. A exceção foi implementada em 2015, apenas para carros elétricos. Na época, França, Espanha e Alemanha também baniram as corridas automotivas, mas isso foi revertido depois de algum tempo. 

Infelizmente, acidentes continuaram acontecendo em Le Mans, com a última morte tendo sido a do piloto dinamarquês Dane Allan Simonsen, em 2013.

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