Automobilistas mulheres que você deveria conhecer #1: Maria Teresa de Filippis

O Reparador S/A dá início a uma série que destaca mulheres que fizeram – e fazem – história no automobilismo. Em uma modalidade majoritariamente masculina, é importante lembrar que o gênero oposto também demonstra inúmeras virtudes sobre quatro rodas

Nosso primeiro nome é a italiana Maria Teresa de Filippis: a pioneira entre as mulheres na Fórmula 1. Sua trajetória é um fator de estímulo ao debate sobre a inclusão feminina nesse universo, encorajando ainda mais aquelas que sonham um dia acelerar nos autódromos.

Vamos então dar a partida e conhecer Maria Teresa de Filippis.

Literalmente, uma aposta

A história da piloto nascida em Nápoles começou de uma maneira um pouco distinta do convencional. Afinal, tais personagens costumam creditar suas escolhas ao amor, à paixão, à vocação etc. No caso de Maria Teresa de Filippis, pode até ser que essas razões tenham tido algum peso. Entretanto, o que chama mesmo a atenção é o fato de, literalmente, uma aposta ter ligado o motor de sua carreira.

A brincadeira partiu de seus dois irmãos. Enquanto um acreditava que ela seria boa apenas em equitação, o outro enxergava sucesso nas pistas automobilísticas. E foi assim que tudo se iniciou, aos 22 anos.

Opção definitiva

Aposta feita, Maria Teresa disputou sua primeira corrida de carro, a Salerno-Cava dei’ Tirreni, na Itália, a bordo de um Fiat 500 de sua família. A estreante terminou a prova na segunda posição; ali, ficou fascinada pelo universo das pistas e decidiu que trilharia nele o seu caminho.

Em 1954, após terminar o Campeonato Italiano na vice-liderança, ela foi contratada pela Maserati como piloto de testes. 

Fórmula 1

Entre 1958 e 1959, Maria Teresa de Filippis disputou três Grandes Prêmios de Fórmula 1: Bélgica, Portugal e Itália.

No traçado belga, tornou-se a primeira mulher a completar uma prova de F1. Pilotando o Maserati 250F, largou em 15º lugar e terminou a prova na 10ª colocação – vale destacar que, nessa corrida, grandes pilotos, como Jack Brabham, Graham Hill e Stirling Moss, não a completaram.

Nesse intervalo, porém, o machismo, que sempre se manifestou de diversas formas, assumiu uma de suas facetas mais escancaradas e canalhas. Em meio à tentativa da italiana em disputar o GP da França, o diretor do evento, Toto Roche, vomitou a seguinte declaração:

“Uma jovem tão bonita como esta não deve usar nenhum capacete a não ser o secador do cabeleireiro.”

Aposentadoria

De Filippis parou de correr ainda em 1959, embora não tenha sido pelo motivo acima. Na realidade, a razão para a aposentadoria foi a morte do amigo Jean Behra durante as preliminares do GP da Alemanha, quando este derrapou na pista e chocou-se contra um poste, falecendo instantaneamente. 

Behra era piloto e fundador da equipe Behra-Porsche, da qual De Filippis fazia parte após deixar a Maserati.  “Morreram muitos amigos”, declarou ela em entrevista ao The Observer, em 2006. 

Com isso, a napolitana optou por não arriscar sua vida, lembrando que, nesses tempos, o automobilismo estava longe de ter a segurança que possui atualmente. 

Em 1979, juntou-se ao International Club of Former F1 Grand Prix Drivers (Clube Internacional de Ex-Pilotos de Fórmula 1). Foi vice-presidente do clube desde 1997 e presidente do clube de Maserati. Maria Teresa de Filippis morreu em 9 de janeiro de 2016, aos 89 anos, na cidade de Bérgamo.

Confira também, no Balconista S/A: Automobilistas mulheres que você deveria conhecer – Danica Patrick.

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