ESPECIAL – DIA DO AUTOMÓVEL: Os dois lados da pista

Ex-campeão mundial de Kart, Gastão Fráguas Filho gerencia o caminho de jovens pilotos

Gastão Fráguas Filho tem duas perspectivas no automobilismo: a de quem já esteve nas pistas e, agora, a daquele que se encontra nos bastidores. O ex-campeão mundial de Kart FIA fez uma grande mudança profissional em 2002, quando decidiu parar de correr e abrir sua própria empresa, visando atender jovens pilotos e administrar suas carreiras.

Assim, Gastão conversou com o Reparador SA sobre esses dois contextos. Quanto ao seu próprio início, ele conta ter sido inesperado. “Sempre gostei de corrida, acompanhava a Fórmula 1, mas nunca me imaginei correndo. Eu comecei no Kart quando eu tinha 15 anos, em 1992, por acaso, como uma brincadeira. Comecei a gostar, a me destacar e a evolução foi muito rápida.”

Depois de correr de Kart em São Paulo por três anos e conquistar alguns títulos, o garoto já levava o esporte a sério, sempre pensando com cautela sobre o próximo passo. Em 95, surgiu a oportunidade de correr na Europa – e ele foi atrás. Participou do campeonato europeu, onde foi vice-campeão e, mais tarde, nesse mesmo ano, levou o título mundial. 

Apesar da vitória individual, Fráguas ressalta que é um meio complexo, onde o apoio é essencial. “Também é um esporte em equipe, porque tem muita gente envolvida para fazer tudo acontecer, então eu tive ajuda de muitas pessoas.” 

Foi justamente quando esse suporte se afunilou que o ex-atleta começou a considerar como seria seu futuro. Depois de chegar na Fórmula 3, o próximo passo exigia muito, principalmente no quesito financeiro. Sem todo o apoio necessário, Gastão tomou a decisão de parar. 

O ex-kartista destaca, ainda, que na época não era comum um piloto “jovem” ir para a Stock Car, como acontece hoje, com a categoria se tornando referência e repleta de profissionais que vieram de outras divisões. Por isso, não via uma opção atrativa de continuidade. 

Como resultado, a mudança de rumo veio em 2002. Fráguas conta: “Eu queria continuar envolvido de alguma forma no esporte, que eu sempre gostei, e eu vi, na minha experiência, que faltou também uma gestão de carreira profissional. Foi com essa visão que eu falei: vou usar tudo que eu aprendi, todo o relacionamento que adquiri, minha experiência como piloto, e agora usar para ajudar jovens pilotos. A partir de então, comecei a trabalhar com isso.” 

Agora, pontuando sobre o contraste entre os dois contextos, o empresário relata: “Óbvio, quando eu estava correndo eu queria ganhar – era isso a minha emoção, paixão, o que eu buscava. O sentimento de uma vitória é único. Quando eu decidi parar, eu queria, de uma certa forma, ter essa sensação. Aí eu comecei a cuidar de pilotos, do outro lado, como gestor, e eu vi que, ao fazer esse trabalho de desenvolvimento e preparação, quando os resultados começam a aparecer, isso me traz aquela sensação de conquista. A satisfação é similar, senão até maior, do que quando você é piloto.” 

Atualmente, dentre os jovens que ele gerencia, há uma garota: Julia Ayoub. “Eu acho que agora estamos vivendo um momento global, não só no automobilismo, de mais igualdade, diversidade. No caso da Julia é isso aí, ela está trabalhando cada vez mais para conquistar o espaço dela, mostrar que as mulheres também podem se destacar em um esporte dominado por homens. Eu vejo, sim, um momento positivo e que tende só a crescer, incentivando novas mulheres a correr, para, quem sabe um dia, uma mulher conseguir chegar na Fórmula 1”. 

Para Julia e os outros atletas com quem trabalha, Gastão ressalta ser esta sua maior dica: “Tem que trabalhar muito. Todo mundo quer chegar lá em cima, mas poucos realmente estão dispostos a trabalhar para conseguir isso. Meu conselho é esse: trabalhar muito e saber abrir mão, porque não é nada fácil.

Como conclusão, Fráguas evidencia que a paixão é crucial para entrar no meio e ver sentido em tudo sendo feito. Segundo ele, quem observa de fora mal imagina tudo que acontece para além dos carros na pista. 

Analisando sua trajetória, o ex-piloto aponta que o título de campeão mundial, embora marcante, faz parte de um todo. No final, a sua vivência e relacionamentos provenientes do esporte serviram como aprendizado, para hoje ele orientar pilotos iniciantes.

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