A evolução da indústria automotiva e seus impactos mais nítidos na sociedade

Desenvolvimento contínuo do mercado de carros contribuiu para consequências diversas – de mudanças urbanas a novos modelos de gestão.  

O universo dos automóveis apresentou avanços descomunais no último século. Os carros passaram de algo raro e exclusivo para os ricos, para um elemento cotidiano indispensável.

Para mais do alto número de entusiastas do assunto, esse meio de transporte se tornou vital para o funcionamento da sociedade como um todo, abrangendo tanto a logística comercial, quanto a particular. Já parou para pensar nos impactos que o progresso desse setor realmente trouxe? 

Principalmente em locais onde o transporte público é escasso, como em cidades do interior, a logística praticamente exige o uso automotivo. Em contrapartida, alguns cenários com metrôs que abrangem quase todo o território, mas são marcados por extrema violência, fazem com que um veículo traga um requisito indispensável para o bem-estar: a segurança. 

A partir disso, surge, juntamente ao tão comentado sonho de comprar uma casa, a ambição de ter um carro próprio. O mercado dispara e mais de 100 milhões de pessoas circulam com esse meio no Brasil, de acordo com uma pesquisa do IBGE feita em 2018.

Isso contribuiu diretamente para a expansão urbana, com os locais principais de um município podendo ser mais afastados, não necessariamente tão concentrados na região central.

Outro resultado é, com certeza, a aparição de cidades-satélite no mapa. O nome pode até parecer estranho, mas quase todos pelo menos sabem ou já ouviram falar de uma. São localidades que se erguem nas vizinhanças de uma metrópole, comumente funcionando como ponto de dormitório, no sentido de que a maioria dos moradores faz um trajeto diário para trabalhar no grande centro. 

Ilustrando esse aspecto, temos Cotia e Guarulhos, por exemplo, as quais exercem essa função de apoio para a capital São Paulo. Em Brasília, há Taguatinga e Ceilândia, dentre muitas outras. Fato é que essa estrutura tornou-se possível, também, graças à evolução automotiva.

Além do impacto natural no crescimento de cidades, surgiram contribuições mais específicas a partir dessa gigantesca indústria. Houve a implementação de tecnologias, forçadas a acompanhar o fluxo enorme de demanda e a competitividade entre marcas ao redor do mundo. 

Muitas vezes em conexão com outros ramos, tornou-se comum um carro apresentar sistema de voz; televisor; câmera; alto-falantes de primeira linha; bancos muito confortáveis; além de “dirigir sozinho” ou ser movido por outras fontes que não o petróleo. 

Saindo do âmbito específico das novidades tecnológicas, novos modelos de gestão surgiram com base em grandes nomes da produção de veículos, como Henry Ford e Taiichi Ohno, contribuidor da Toyota. 

O Fordismo foi o modelo de produção que mais se desenvolveu no século XX, sendo idealizado por Henry, criador da empresa Ford, em 1907. Ele estabeleceu que o lucro deveria ser pautado na grande quantidade de vendas, não no pouco salário do trabalhador. 

Em outras palavras, visualizou que fazia mais sentido ter empregadores mais motivados, por ganharem melhor, ao passo que receberia mais quantidade e qualidade de produtos. O impulso para produção em massa – inclusive de carros, antes algo apenas para a elite – surgiu daí. 

Outro conceito, este essencial para a administração moderna, foi o Sistema de Produção Toyota. Desenvolvido por um gerenciador japonês, esse modelo integra importantes táticas, chamadas de Lean Manufacturing, Just-in-Time, Kanban e Nivelamento de Produção. Todas elas costumam ser aplicadas até hoje e, basicamente, baseiam-se na otimização dos recursos, partindo do tempo e logística à mercadoria e mão-de-obra. 

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