Ser mecânico: além de uma profissão, uma paixão

Nascido e criado na Vila Maria, zona norte de São Paulo, Samuel José tinha apenas 10 anos quando descobriu a profissão de sua vida. Embora fosse apenas uma criança, seus olhos já brilhavam ao ouvir falar de mecânica e suas mãos viviam procurando algo para arrumar, fosse nos carros da oficina de um amigo, onde passava o dia ou nos objetos que desmontava e tentava dentro de casa. 

Aos 10 anos de idade, Samuel já sabia manusear uma retífica. Assim, fica até difícil de imaginá-lo fazendo outra coisa que não fosse consertar tudo que aparecia pela sua frente. Porém, para chegar aonde está hoje, Samuca percorreu um longo caminho, trabalhando inicialmente como office-boy e, depois, em uma concessionária de automóveis.

Dizem por aí que nenhum sonho se realiza sem ter antes esbarrado em alguns obstáculos ou ter mudado de rota. O mesmo aconteceu com Samuel, pois antes de conseguir ter a sua própria oficina mecânica, acabou mudando de rota e começou a trabalhar como mecânico e eletricista em uma concessionária de carros.

Desde que começou a trabalhar em concessionárias, Samuel nunca ficou parado com relação às inovações do meio automotivo. Tendo a determinação como um traço de sua personalidade, ele aproveitou todas as oportunidades de fazer cursos oferecidos pela Fiat, GM e Senai e outros particulares, para se especializar cada vez mais na área. Já fez mais de 20 cursos diferentes até hoje, afirma.

Em 23 anos de experiência, atuando em diversas concessionárias, Samuel cresceu ainda mais como profissional. Nessa época, fazia de tudo um pouco: atendimento ao cliente, cuidava tanto da parte mecânica quanto elétrica dos automóveis, lavagem e entrega do veículo. É o que se chama, no mercado, de “atendimento premium”. Porém, tornar-se um multitarefa não foi um problema para Samuel, já que sempre gostou de acompanhar, conhecer e entender todo o processo de reparação de um carro.

Sempre buscando desafios e problemas para solucionar, Samuel tem muitas histórias para contar. Dos tempos de concessionária, a que mais lhe marcou, sem dúvidas, foi a busca por um pequeno detalhe que quase impediu um Vectra 98, recém-lançado, de sair da concessionária. O modelo estava aparentemente impecável, no entanto, seu rádio não funcionava e então, o Vectra foi enviado aos mecânicos para tentarem descobrir o problema da disfunção do aparelho. 

Tudo foi feito para tentar encontrar o problema e solucioná-lo. Toda a equipe técnica da concessionária foi acionada, e o caso chegou aos engenheiros da montadora, que também não conseguiam descobrir a origem do problema. Curioso e com ânsia de resolver problemas, antes que enviassem o Vectra 98 de volta para a fábrica, Samuel decidiu checar mais uma vez, dessa vez, na traseira do carro. Com olhar detalhista, o mecânico então encontrou o motivo pelo qual nenhum rádio funcionaria naquele carro. “Desmontei a traseira e fui checar a antena. Segui o fio da antena e percebi que aqueles grampos do acabamento interno estavam junto com os fios dentro da lataria e essa junção fez um curto-circuito acontecer”, contou Samuel.

A partir disso, nenhum problema passou por Samuel sem ser solucionado, até mesmo na oficina que por 4 anos e meio foi sócio, e há 1 ano e meio, é proprietário. No entanto, o mecânico relata que chegar até aqui, foi um baita desafio, talvez o maior de sua vida profissional, já que sempre começou por baixo e com poucas condições financeiras. 

Atualmente, Samuel comanda a sua própria oficina mecânica e por mais corrido que seja, ele não abre mão de atender o cliente, botar a mão na massa e tentar solucionar o problema do carro junto com seus colaboradores. “Eu gosto de fazer tudo. Gosto sempre de estar a par do que está acontecendo, desde o atendimento ao cliente até botar a mão na massa”, relata o mecânico. 

Samuel conta que sua oficina realiza muitos reparos na suspensão, embreagem, câmbio automático e injeção eletrônica, parte que ele mais gosta como mecânico. Independente de qual for a sua parte preferida na profissão, Samuel acredita que sem perseverança, dedicação e carinho pelo o que faz um mecânico não entrega um trabalho bem feito. Além disso, para ele, a melhor parte em ser mecânico é justamente viver desta profissão, sentir-se satisfeito por ter conseguido arrumar o carro e o sentimento de confiança que o cliente passa a ter com o mecânico, ao ponto do cliente sempre procura-lo quando precisar. “Ser mecânico não é só fazer o serviço. É o cara ser limpo, inteligente, organizado, trabalhar limpo e fazer seu trabalho com amor e dedicação”.

Samuel conta que apesar de sempre tentar oferecer o melhor serviço ao cliente, ainda não atingiu seu maior sonho como mecânico, mas acredita que em breve chega lá. “Eu faço tudo com muito amor e por isso, meu maior sonho é ter uma oficina em que o cliente seja bem recebido desde a recepção até a reparação. Meu sonho é ter uma oficina que tenha o tamanho e todos os serviços que uma concessionária possui para que o cliente saia daqui completamente satisfeito”, relata Samuel emocionado. 

Por fim, Samuel decidiu deixar uma mensagem para todos os mecânicos: “Aos meus companheiros, acho que eles têm de pegar o carro do cliente e tratar como se fosse dele, entender as necessidades do cliente, ser capacitado e fazer o serviço com amor e dedicação. Tudo isso para conquistar a confiança do cliente e ouvir o que ouço muito ‘para onde você for eu vou’”.


Leia Mais
Curiosidades da profissão pelo mundo