O que há por trás do Marea, o carro “bomba” da Fiat?

Uma das maiores brincadeiras da internet é associar o Fiat Marea com um carro bomba, por conta de alguns incidentes explosivos. O veículo divide opiniões, uns afirmam que ele é excelente, já outros não possuem boas experiências. Afinal por que as pessoas chamam o Marea de “bomba”?

Fiat Marea na estrada

História

O veículo foi produzido e comercializado a nível mundial. Em 1996, ele começou a ser vendido na Europa, mas só chegou ao Brasil alguns anos depois, em 1998. A proposta do automóvel foi substituir o sedã Tempra, que foi distribuído em 1991.

Com modelos sedã e station wagon, o Marea era um carro luxuoso, potente e moderno para época. Eles foram comercializados com motores 1.6, 1.8, 2.0 e 2.4. Além disso, o automóvel teve versões EX, ELX, HLX e Turbo, além da City, que era destinada exclusivamente para taxistas.

Com variantes manuais e automáticas, o veículo continha comando de admissão variável e injeção sequencial, itens que contribuíram para sua fama de manutenção cara. O Marea foi comercializado até 2008 e foi substituído pelo Fiat Linea. Mas o automóvel dividiu opiniões, uns o defendem, já outros o ridicularizam.

Capo do Fiat Marea aberto

Má fama

Histórias que pegava fogo na estrada e que chegava a explodir, como os filmes americanos, começaram a se popularizar desde os primórdios da internet. Rodrigo Marafon, que já foi dono de 3 Marea e participante de um grupo de amantes de automóveis, defende o veículo. “Não explode. Se criou essa crença. O que acontece é que quando o carro saiu, a primeira revisão era pra ser feita com 20.000km. Imagina um motor calibrado pro clima europeu (frio) e chega num país tropical igual o nosso?”.

Motor do Marea

A mecânica do veículo é mais complicada e um pouco mais cara que os outros automóveis da época. “Esse motor era fora do seu tempo, extremamente complexo e completo. Vários sensores aqui e ali”, conta Rodrigo.

“Houveram alguns problemas [mecânicos] e como todo bom brasileiro, empurrou o problema do carro pro próximo dono”, conta. “Consequentemente, a falta de conhecimento e mão de obra qualificada trouxe mais má fama do carro”, completa.

Mas os problemas não podem cair 100% nas mãos dos mecânicos e donos do veículo. No manual, a Fiat não readaptou as informações sobre o carro. Itens, como troca de óleo e manutenção preventiva, foram mantidos nos padrões europeus.

As gambiarras ocorriam por diversos motivos, a complexidade do motor era tão grande, na época, que era necessário algumas ferramentas específicas. Para realizar a troca da correia dentada da Marea era necessário utilizar uma ferramenta específica – caso fosse feita de uma maneira incorreta poderiam ocorrer danos no sensor de fase.

Uma das modificações mais comuns no carro era aumentar a potência do motor, “a Marea Turbo conseguia facilmente subir de potência, 182cv pra 230cv, apenas com reprogramação da central. Uma Marea Turbo original não dá problema”, conta Rodrigo.

Injustiça na história

De fato o Marea foi um carro injustiçado, os problemas que aconteceram com o veículo poderiam acontecer com qualquer outro automóvel. Por algum motivo, o Fiat Marea foi escolhido como piada, mas existem diversos amantes que os defendem. 

Dois carros Fiat Marea preto e prata correndo na estrada.

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