As inovações e o antissemitismo de Henry Ford

As invenções e ideias de Henry Ford com certeza impactaram a vida de todos nós. O americano ficou mundialmente conhecido por popularizar o carro. E graças a ele os automóveis e toda indústria em geral é fabricada em grande escala.

Henry criou o sistema de produção chamado Fordismo, que foi um elemento fundamental para a segunda revolução industrial. Esse modelo de negócio é utilizado até hoje, ele consiste basicamente na manufatura em massa, redução de custos e organização administrativa.

Começo de sua história

O empresário nasceu em 30 de julho de 1863, em uma fazenda próxima a Detroit. O primeiro contato com os automotores começou ainda no campo, onde cuidava e consertava os tratores da família. Apesar de seu pai estar passando os ensinamentos para ele assumir a fazenda no futuro, o jovem Henry não gostava da vida no interior.

Com a morte de sua mãe, em 1876, o jovem se rebelou contra seu pai e confessou que queria sair da fazenda da família, aos 12 anos de idade. Em 1879, Henry foi para Detroit e trabalhou como operador de máquinas, onde ganhou mais experiência na área da mecânica.

Henry Ford
Henry Ford

Pulando de emprego em emprego, Henry Ford começou a trabalhar na Edison Illuminating Company, em 1890, onde investiu em experimentos com motores a gasolina. Sua dedicação culminou no veículo chamado Ford Quadricycle.

Após a invenção de seu primeiro automotor, Ford fundou duas empresas, a Detroit Automobile Company e a  Henry Ford Company. A primeira faliu e na segunda Henry foi demitido por querer focar em veículos esportivos.

Ford T

Agora com 40 anos e com a ajuda de 11 investidores, Henry Ford fundou a Ford Motor Company em 1903. Cinco anos após o inicio das operações foi lançado o modelo T, o primeiro carro das massas, veículo no qual estreou a filosofia Fordista para produzi-lo. 

Com um forte investimento em publicidade e custando pouco, o Ford T era o carro mais popular dos Estudos Unidos, em 1918 – entorno de 50% dos veículos do país era o modelo T. Por ser o automóvel mais vendido da época, o veículo bateu recordes de venda – 15.007.034 unidades produzidas.

Outro aspecto de sua vida

Durante a Primeira Guerra Mundial (1914 – 1918), Henry Ford se declarava como pacifista. Ele afirmava que a guerra era uma perda de tempo e criticava quem financiava ela. Inclusive o empresário patrocinou uma missão de paz durante o conflito.

Com o fim da Primeira Guerra, em 1918, o assessor de Henry Ford comprou o jornal The Dearborn Independent, conhecido também como The Ford International Weekly. O empresário escrevia artigos para o periódico, os quais ficaram conhecidos por possuir ideias antissemitas. 

exemplar do jornal de henry ford
Capa do The Dearborn Independent onde está escrito “O Judeu Internacional: um problema mundial”

Henry Ford acreditava que os Judeus eram o problema de todos os conflitos do mundo. Em uma de suas publicações ele escreveu:  “Financiadores internacionais estão por trás de toda a guerra. Eles são o que chamo de judeu internacional: judeus alemães, judeus franceses, judeus ingleses, judeus americanos. Acredito que em todos esses países, exceto o nosso, o financista supremo é judeu… aqui o judeu é uma ameaça”.

Seus artigos foram compilados em um livro chamado “O Judeu Internacional: O Primeiro Problema do Mundo”. Na publicação havia um texto específico chamado “Os Protocolos dos Sábios de Sião”, que foram escritos na Rússia Czarista e afirmavam que os judeus queriam dominar o mundo.

O livro ganhou visibilidade internacional, inclusive o Adolf Hitler pegou diversas ideias de Henry Ford e as transcreveu em seu manifesto, o Mein Kampf. Além disso, ele foi citado em alguns momentos da obra do Führer

Em seu aniversário de 75 anos, Ford recebeu a medalha Grande Cruz da Águia Alemã em 1938, a maior honraria que um estrangeiro poderia receber da Alemanha Nazista, era considerado o maior ato de admiração que Hitler poderia dar a alguém. O evento aconteceu em Michigan, nos EUA.

Henry Ford vendia veículos e equipamentos para os nazistas, sendo que um terço dos automóveis alemães foram disponibilizados pela empresa americana. Mesmo quando os EUA entraram na guerra, a Ford continuou fornecendo carros e caminhões para o exercito germânico.

Apesar de Henry Ford pedir desculpas publicamente para o povo judeu, elas não foram aceitas por essa parcela da população. Em contra partida, mesmo contribuindo, de maneira indireta, com os nazistas, o americano não foi julgado e nem investigado e essa parte de sua história foi escondida por anos.

O fim de Henry Ford

Em 7 de abril de 1947, em decorrência de uma hemorragia cerebral, Henry Ford faleceu em Dearborn. Ele foi um grande empresário, que mudou a indústria mundial, e um inventor, com 161 patentes registradas. Apesar disso, ele não era um homem perfeito e que nunca conheceu a justiça por conta de seu antissemitismo e preconceito.

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