A oficina das cinco mulheres

Como é o espaço das mulheres do ramo

As mulheres têm ganhado cada vez mais espaço em diferentes setores da sociedade. No setor automotivo não seria diferente. Segundo dados divulgados pela Fecomercio SP (Federação do Comércio do Estado de São Paulo), quase 50% das trabalhadoras do varejo possuem carteira assinada.

Com o objetivo de entender melhor essa realidade, visitamos a Konsumo Auto Peças, loja e oficina especializada no segmento de autopeças para reposição. Para quem chega, a primeira diferença é fácil de notar. A equipe é formada por 5 mulheres: Daniela (37 anos) e Gabriela (19) donas do local, que ainda conta com o apoio das balconistas Yasmim (21 anos), Tainá (22) e Pamela (18). Veja a entrevista em que as mulheres discutem a presença feminina no setor:

De onde surgiu a ideia de abrir a loja?

Daniela: Eu trabalhava com o meu esposo, e ele trabalha com o segmento automotivo (manutenção de carros). Como sempre tive vontade de ter meu próprio negócio, decidi abrir a Konsumo Auto Peças. E como tenho mais habilidade em lidar com as mulheres, acabamos optando por só contratar mulheres.

Qual a reação dos clientes?

Daniela: A única novidade que uma pessoa vê quando entra é que não tem nenhum homem no balcão pra atender e falar sobre as peças. Toda vez que ele quiser alguma informação, é sempre uma mecânica que atende, uma balconista (…) Mas saem satisfeitos tanto quanto em outra loja.

Yasmin: Todo dia temos uma surpresa diferente. O engraçado é o fato deles (homens) não aceitarem que a gente entende tanto quanto eles ou até mais. Então fica engraçada a situação, com eles tentando manobrar o seu conhecimento e no final das contas verem que você realmente entende, e ficar tipo “nossa, caramba, as meninas manjam de verdade”.

Tainá: Eles não aceitam saber menos. É machismo, né? Como a Gabi falou, eles chegam e a gente está aqui. Então, vão procurar em outro canto para ver se tem homem até a gente perguntar: “Amigo, podemos te ajudar?”

Qual é a sensação de liderar uma equipe feminina no setor de autopeças?

Daniela: Maravilhoso. Nós viramos uma família, então hoje posso te falar que hoje aqui não existe briga (…) todo mundo se dá bem, não existe confusão. Sabe, tem sempre um churrasquinho de vez em quando, as meninas se dão bem, saem juntas para comer e para beber. Tem uma super amizade (…)

Como foi o processo de contratação das mulheres?

Gabriela: A gente não escolhe pessoa que tenha necessariamente experiência. A gente prefere uma pessoa que queira trabalhar e se interesse pelo ramo. 

Daniela: Até preferimos que a pessoa não tenha experiência, porque aí ela vem sem hábitos. Você acaba doutrinando ela para aquela forma que você quer para a sua empresa.

Vocês já conheciam bem o ramo? Como foi o processo no início?

Yasmin: Eu já vinha de uns 4/5 anos no setor. Eu gosto muito, me dou super bem. Como já tenho muito tempo na área, para mim fica um pouco mais fácil.

Tainá: Eu comecei há uns dois anos, junto com ela (Yasmin) inclusive. No começo, nunca pensei que seguiria uma área assim (…) fiz faculdade de fisioterapia e não me adaptei. Saí, tranquei a faculdade e estou aí até hoje. Eu gosto muito do que faço.

Pamela: Para mim sempre é um desafio. Eu entrei aqui meio que sabendo de nada, na verdade, nada mesmo. E elas que tiveram toda a paciência de me ensinar.

Que tipo de dificuldade vocês encontram?

Pamela: Essa questão da insegurança mesmo, por ser mulher. Mas, ao mesmo tempo, tem aquele sentimento de vitória, porque é histórico, sabe, essa dificuldade da mulher “aparecer” na sociedade (…) Por mais desconfortáveis que algumas situações se apresentem para a gente, sentimos um gosto de vitória mesmo. Por ser mulher, ter conseguido ultrapassar diversas barreiras e estar onde estamos hoje. Por exemplo, receber vocês aqui. Para a gente é muito gratificante ter alguém que reconhece esse trabalho. É muito legal mesmo.

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